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Conto: As cartas dos outros – parte I

Caixas de correio.jpg

 Desempregado e desesperado. António transformou a sua vida numa agoniante rotina entre o acordar, arrumar a casa, cozinhar, procurar emprego, navegar na internet, acabando no dormir.

Sentia-se farto. Sentia-se aborrecido. A inércia que se instalava criara carreiros no pavimento da casa e uma cova no sofá. Longe das entrevistas de emprego, a barba crescia selvagem no rosto. Os fatos deixados ao mofo no armário foram substituídos por t-shirts e calções. Roupa prática para quem se estava a tornar sedentário.

Quando se viu livre dos horários estranguladores do emprego sonhou. Aproveitou para descansar e passear pela cidade. Navegou por sites, blogs e embrenhou-se nas redes sociais. Idealizou projetos que não conseguiu tirar do papel. Nos primeiros meses parecia viver aquilo que desejara durante anos: com todo o tempo para si.

Mas alguém que está habituado a ter um compromisso com os outros, a conviver com os outros numa relação profissional, não suporta esta vida de sossego por muito tempo. Não lhe bastava ter disponibilidade para jantar ou sair com os amigos. Não lhe bastava esperar pela namorada cujos horários no trabalho os separavam durante horas a fio. E assim, a seguir à satisfação supérflua de poder navegar ao largo veio o desespero da calmaria exagerada. Como costumava dizer aos amigos: “Já trepo paredes! Tenho de arranjar trabalho.”. Contudo a oportunidade não lhe batia à porta.

Num misto de depressão e excitação que ora se sobrepunham ou ora se distanciavam durante dias, tinha devaneios. Atirava-se de cabeça a inúmeros projetos caseiros, deixando-os todos por terminar. 

 

Opinadela: Sinto-me violado pelas Greves

Esta é a verdade. Esta é a minha opinião. Este é o meu desagrado. Sinto-me violado pelas Greves. 

O direito à greve é um direito consagrado – e ainda bem. Mas atenção! este método de fazer greve é uma violação das liberdades e direitos dos restantes cidadãos, pelo que não me peçam para compreender nem me peçam para apoiar.

Vejo os sindicatos como máquinas de pura propaganda que convocam greves lesivas para os cidadãos e que só servem para, no fim, dizerem que estão satisfeitos com a taxa de adesão à greve. Parece-me um descarado método de dizerem: - "Estamos aqui, existimos e trabalhamos. Que orgulhosos que estamos! Continuem a apoiar-nos. Continuem a alimentar-nos. ". E os resultados práticos? Raramente existem. Apenas mais palavras de ordem e chavões.

Mas eu afirmei (e continuo a afirmar) que as atuais greves são violadoras de direitos e liberdades, e quem lê este texto poderá questionar-se sobre tal afirmação. Passo a explicar através de exemplos. 

As greves dos STCP ou do Metro (transportes públicos) são sinónimo de confusão total. Geram trânsito excessivo porque as pessoas se veem obrigadas a recorrer aos seus carros para chegarem aos empregos que não toleram atrasos. E aqueles que não têm carro sujeitam-se à espera ou à caminhada. Geram custos acrescidos para os utentes/clientes que pagaram a assinatura mensal (passe) para utilização dos transportes públicos e se veem obrigados a gastar mais dinheiro em combustível - e até mesmo em estacionamento. No fundo geram desconforto e frustram expetativas. E até à data não lhes vejo resultados práticos, pois convocam greve atrás de greve. 

 

Ordinarices: Trocam-nos as palavras

Olhando em meu redor, lendo artigos e entrevistas, ouvindo os noticiários e as pessoas chego à conclusão que a moda é trocarem as palavras para nos dar a volta.

Já não se diz problema, diz-se desafio. O país enfrenta novo desafio. Problema é feio e não fica bem.

Quando não se tem dinheiro para fazer algo, diz-se que neste momento isso não é uma prioridade. E um programa não falha, depara-se com necessidades de atualização.

Também não convém chamar alguém de novo rico, é preferível chamar de empresário – mesmo que não tenham nenhuma empresa nem sejam empreendedores. Fulaninha de tal, empresária. Outra palavra, agora diz-se empreendedor em vez de desenrascado. Este jovem empreendedor criou um negócio de estafetas com apenas uma bicicleta.

Já não há donos nem patrões, são todos CEOs. Não há senhoras de limpeza, são técnicas de limpeza ou TL – porque as abreviaturas dão outra categoria às coisas. Não há cangalheiros, pois ao que parece morreram de vergonha com o nome e agora são agentes funerários. E já não se faz a recolha de lixo, mas sim o tratamento de resíduos. Não há funcionárias da escola, mas auxiliares de educação. A prostituição não é uma profissão legal, mas as prostitutas são profissionais do sexo. 

 

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